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1986: O Ano Mágico do Heavy Metal

Publicada em: 18/06/2026 10:13 -

 

Poucos anos na história da música pesada tiveram um impacto tão profundo quanto 1986. Quatro décadas depois, aquele período continua sendo lembrado como um divisor de águas para o heavy metal e seus subgêneros. Foi o ano em que o metal tradicional alcançou novos patamares de sofisticação, o thrash metal explodiu mundialmente, enquanto death e black metal davam seus primeiros passos rumo à consolidação. Para muitos fãs e historiadores, 1986 representa o verdadeiro auge criativo da década de ouro do metal. 

 

 

O Heavy Metal Tradicional em Seu Auge

 

Enquanto os estilos extremos ganhavam força, o heavy metal clássico continuava produzindo obras-primas. O lendário álbum Somewhere in Time, da Iron Maiden, trouxe uma abordagem mais melódica e tecnológica, incorporando guitarras sintetizadas sem perder a identidade épica da banda. No mesmo ano, o Candlemass lançou Epicus Doomicus Metallicus, obra que praticamente definiu os padrões do doom metal moderno e influenciaria gerações futuras. 

 

Outro destaque foi Orgasmatron, da Motörhead, que mostrou que a banda de Lemmy Kilmister continuava sendo uma das maiores forças do metal mundial.

 

O Ano em Que o Thrash Metal Conquistou o Mundo

 

Se existe um gênero que definiu 1986, esse gênero foi o thrash metal. Em poucos meses, três álbuns mudariam para sempre a história da música pesada.

 

Em março chegou Master of Puppets, da Metallica. Considerado por muitos o maior álbum de metal de todos os tempos, o disco elevou o nível técnico e composicional do gênero a um patamar até então inimaginável. 

 

Meses depois, a Slayer lançou Reign in Blood, uma verdadeira explosão sonora que redefiniu os limites da velocidade e agressividade. Com apenas 29 minutos de duração, o álbum tornou-se uma referência obrigatória para praticamente todas as bandas extremas que surgiriam depois. 

 

Fechando a tríade histórica, a Megadeth apresentou Peace Sells... But Who's Buying?, combinando técnica refinada, crítica social e riffs memoráveis. O disco consolidou definitivamente Dave Mustaine como um dos maiores compositores do metal. 

 

Mas o ano não viveu apenas dos "Big Four". A Kreator lançou o brutal Pleasure to Kill, enquanto a Dark Angel apresentou Darkness Descends, obra frequentemente apontada como uma das maiores influências para o death metal dos anos seguintes. 

 

 

Death Metal: O Nascimento de Uma Nova Brutalidade

 

Embora o death metal ainda estivesse em sua infância, 1986 foi um ano fundamental para a construção do gênero.

 

A Possessed lançou Beyond the Gates, dando sequência ao legado iniciado com Seven Churches, álbum de 1985 frequentemente citado como um dos marcos fundadores do death metal. O som mais técnico e agressivo da banda ajudou a moldar a identidade do estilo que explodiria no final da década. 

 

Na mesma época, demos e gravações iniciais de grupos como Morbid Angel já circulavam no underground, preparando terreno para a revolução que viria nos anos seguintes. Entre os músicos da cena extrema, ficava cada vez mais evidente que algo novo e mais brutal estava surgindo. 

 

Black Metal: As Trevas Ganham Forma

 

O black metal de segunda geração ainda estava distante, mas 1986 foi essencial para o desenvolvimento das bases do gênero.

 

O grande destaque foi Under the Sign of the Black Mark, da Bathory. O álbum elevou o nível de obscuridade, atmosfera e agressividade do metal extremo, tornando-se uma influência direta para praticamente toda a cena black metal que surgiria na Noruega alguns anos depois. 

 

Ao mesmo tempo, o legado da Celtic Frost continuava crescendo. Seus lançamentos e relançamentos daquele período ajudaram a consolidar uma sonoridade sombria que serviria de inspiração tanto para o black quanto para o death metal. 

 

 

Um Ano Que Nunca Será Repetido

 

A combinação de Master of Puppets, Reign in Blood, Peace Sells... But Who's Buying?, Somewhere in Time, Pleasure to Kill, Darkness Descends, Epicus Doomicus Metallicus e Under the Sign of the Black Mark faz de 1986 um ano praticamente impossível de ser igualado. Em apenas doze meses, o metal evoluiu em diversas direções simultaneamente, criando as bases para quase tudo o que ouviríamos nas décadas seguintes.

 

Não é exagero afirmar que, se o heavy metal possui uma "idade de ouro", ela atingiu seu ponto máximo em 1986. Um ano mágico, inesquecível e eternamente reverenciado pelos verdadeiros metalheads. 🤘

 

 O Brasil Entra no Mapa do Metal Extremo

 

Se 1986 foi um ano histórico para o metal mundial, também representou um marco para o metal brasileiro. Em um cenário ainda dominado por produções independentes e recursos limitados, bandas nacionais lançaram trabalhos que ajudariam a construir a reputação do Brasil como um dos maiores celeiros do metal extremo.

 

O principal destaque foi Morbid Visions, álbum de estreia da banda brasileira Sepultura. Lançado pela Cogumelo Records em novembro de 1986, o disco apresentou uma mistura crua e agressiva de thrash, death e black metal primitivo, influenciada por nomes como Venom, Hellhammer e Celtic Frost. Hoje, o álbum é amplamente reconhecido como uma das gravações mais importantes da história do metal extremo latino-americano. 

 

Faixas como "Troops of Doom", "War" e "Morbid Visions" ajudaram a transformar o quarteto de Belo Horizonte em referência do underground internacional. Décadas depois, Max e Igor Cavalera continuariam revisitando esse material em turnês e regravações, demonstrando a relevância histórica do álbum. 

 

Outro lançamento fundamental daquele ano foi Bloody Vengeance, da banda santista Vulcano. Considerado um dos álbuns mais influentes da primeira geração do metal extremo brasileiro, o trabalho apresentou uma combinação feroz de thrash, death e black metal embrionário, tornando-se referência para inúmeras bandas sul-americanas. 

 

Além deles, grupos como Sarcófago, Holocausto e Mutilator já movimentavam a cena underground mineira através de demos, shows e fanzines, preparando o terreno para a explosão do metal extremo nacional nos anos seguintes. O movimento surgido em Belo Horizonte durante a segunda metade dos anos 80 seria posteriormente reconhecido como uma das cenas mais influentes da história do metal mundial. 

 

Discos Essenciais de 1986

 

Heavy Metal Tradicional

 

Somewhere in Time – Iron Maiden

 

Orgasmatron – Motörhead

 

Epicus Doomicus Metallicus – Candlemass

 

 

Thrash Metal

 

Master of Puppets – Metallica

 

Reign in Blood – Slayer

 

Peace Sells... But Who's Buying? – Megadeth

 

Pleasure to Kill – Kreator

 

Darkness Descends – Dark Angel

 

 

Death Metal

 

Beyond the Gates – Possessed

 

Morbid Visions – Sepultura

 

 

Black Metal

 

Under the Sign of the Black Mark – Bathory

 

Bloody Vengeance – Vulcano

 

 

Com lançamentos históricos nos Estados Unidos, Europa e também no Brasil, 1986 não foi apenas um grande ano para o heavy metal. Foi o ano em que os alicerces do metal moderno foram definitivamente construídos, consolidando uma geração de bandas que continua influenciando músicos e fãs quarenta anos depois.

 

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