Neste Dia dos Pais, a Metalheads relembra alguns dos momentos mais especiais em que o amor pela música aproximou pais e filhos dentro do rock, hard rock e heavy metal
Neste domingo, 9 de agosto, o Brasil celebra o Dia dos Pais. E se existe uma linguagem capaz de atravessar gerações, ela certamente é a música.
No universo do rock e do heavy metal, essa transmissão de paixão muitas vezes acontece dentro da própria família. Guitarras, baterias, vocais e riffs acabam servindo como uma ponte entre pais e filhos — e, em alguns casos, essa relação ultrapassa a influência musical e chega ao palco.
Ao longo da história, diversos músicos tiveram a oportunidade de tocar ou cantar ao lado de seus filhos. Alguns desses encontros se transformaram em momentos históricos; outros permaneceram como registros íntimos e emocionantes de uma relação familiar.
Para celebrar o Dia dos Pais, a Metalheads separou alguns desses encontros.
Ozzy e Kelly Osbourne — “Changes”
É impossível falar de pais e filhos no heavy metal sem começar por Ozzy Osbourne e Kelly Osbourne.
Em 2003, pai e filha gravaram juntos uma nova versão de “Changes”, clássico originalmente lançado pelo Black Sabbath no álbum Vol. 4, de 1972.
A nova gravação ganhou uma dimensão completamente diferente. A letra foi adaptada para refletir a relação entre pai e filha, transformando a música em um retrato da passagem do tempo e das mudanças dentro de uma família.
O resultado foi um verdadeiro fenômeno: a versão de Ozzy e Kelly chegou ao primeiro lugar da parada britânica de singles.
Anos depois, “Changes” ganhou ainda mais significado. Após a morte de Ozzy, em julho de 2025, Kelly voltou a compartilhar versos da música como forma de homenagear o pai, mostrando como aquela gravação havia se transformado em algo muito maior do que apenas uma canção.
No caso dos Osbourne, o heavy metal acabou registrando uma das mais conhecidas parcerias musicais entre pai e filha.
James Hetfield e Cali Hetfield — metal também é emoção
Quem está acostumado a ver James Hetfield destruindo palcos com o Metallica pode se surpreender ao encontrar o vocalista e guitarrista em uma situação completamente diferente.
Hetfield já dividiu o palco com sua filha Cali Hetfield em uma apresentação acústica, interpretando uma versão de “Crazy for You”, de Adele.
O contraste não poderia ser maior: o homem conhecido pela voz agressiva e pelos riffs pesados do Metallica aparece tocando violão enquanto sua filha assume os vocais.
Mais do que uma performance, o encontro mostrou um lado extremamente pessoal do músico — o pai acompanhando a filha musicalmente e dividindo com ela um palco.
O momento chamou atenção justamente por mostrar que, por trás de uma das maiores figuras do heavy metal, existe simplesmente um pai orgulhoso compartilhando música com a filha.
Max e Jay Weinberg — duas gerações atrás da bateria
Se existe uma família que sabe fazer barulho, é a dos Weinberg.
Max Weinberg, lendário baterista associado à E Street Band de Bruce Springsteen, passou sua paixão pela bateria para o filho Jay Weinberg, que posteriormente se tornou conhecido mundialmente por seu trabalho no metal, incluindo sua passagem pelo Slipknot.
Em 2010, pai e filho protagonizaram um verdadeiro duelo de baterias no palco do Guitar Center's 21st Annual Drum-Off Finals.
O encontro foi apresentado oficialmente como um dueto entre Max e Jay e mostrou duas gerações de bateristas compartilhando o mesmo instrumento e a mesma paixão.
Jay posteriormente construiu sua própria trajetória dentro do metal, provando que herdar a paixão do pai não significa necessariamente viver à sombra dele.
É quase como se Max tivesse passado as baquetas para a próxima geração.
Eddie e Wolfgang Van Halen — pai, filho e uma banda chamada Van Halen
Poucas histórias representam tão bem a transmissão do DNA musical quanto Eddie Van Halen e Wolfgang Van Halen.
Wolfgang entrou para o Van Halen ainda adolescente e passou a tocar baixo ao lado do próprio pai, Eddie, e do tio Alex.
A formação colocou pai e filho juntos em grandes palcos do mundo, transformando a relação familiar em uma experiência musical de enorme escala.
Wolfgang não era apenas “o filho de Eddie”: ele passou anos tocando ao lado de um dos maiores guitarristas da história do rock e participou inclusive do álbum A Different Kind of Truth, de 2012.
Eddie e Wolfgang também registraram diversos momentos juntos fora dos palcos. Em 2014, os dois chegaram a fazer uma jam de uma música que posteriormente seria aproveitada por Wolfgang em seu projeto Mammoth WVH.
Depois da morte de Eddie, Wolfgang construiu sua própria carreira, mas a relação musical entre os dois permanece eternizada.
Frank e Dweezil Zappa — uma família que transformou a música em laboratório
A família Zappa representa outro capítulo fascinante dessa história.
O genial e irreverente Frank Zappa teve entre seus filhos o guitarrista Dweezil Zappa, que acabou seguindo carreira própria na música.
Dweezil chegou a trabalhar diretamente com o pai e, posteriormente, dedicou grande parte de sua carreira à interpretação e preservação do enorme repertório deixado por Frank.
Seu projeto Zappa Plays Zappa tornou-se uma maneira de manter a música de Frank viva nos palcos, com Dweezil assumindo a responsabilidade de interpretar um repertório extremamente complexo.
O próprio site oficial de Dweezil destaca a colaboração musical com seu pai ao longo de sua trajetória.
Nesse caso, a herança não está apenas em compartilhar o palco: está também em preservar uma linguagem musical única para as próximas gerações.
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Willie e Lukas Nelson — quando o rock encontra o country
Embora Willie Nelson esteja mais associado ao country, sua influência sobre o rock, o folk e a música americana é gigantesca.
Seu filho Lukas Nelson construiu uma respeitada carreira própria e também teve diversas oportunidades de trabalhar musicalmente ao lado do pai.
Um dos exemplos mais interessantes é “Civilized Hell”, que apresenta uma colaboração vocal entre Willie e Lukas.
A semelhança entre as vozes dos dois torna a experiência ainda mais curiosa: é como ouvir duas gerações da mesma família conversando através da música.
Lukas também abriu shows para o pai ainda jovem e construiu sua própria identidade artística, mostrando que uma herança musical pode servir como ponto de partida — mas não precisa determinar o destino de um artista.
Mais do que genética: uma questão de paixão
É importante lembrar que nem todo filho de músico se torna músico. E, quando isso acontece, também não significa necessariamente que o filho esteja tentando repetir a carreira do pai.
Wolfgang Van Halen construiu o Mammoth WVH.
Jay Weinberg encontrou seu espaço no heavy metal.
Dweezil Zappa desenvolveu uma carreira própria.
Lukas Nelson criou sua identidade dentro do rock, country e americana.
O mais interessante nesses casos é justamente perceber que a influência familiar pode existir sem impedir a individualidade.
O pai passa o amor pela música.
O filho decide o que fazer com ele.
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O ROCK TAMBÉM É FAMÍLIA
No final das contas, talvez seja essa a verdadeira beleza desses encontros.
O rock nasceu como uma música de rebeldia, juventude e ruptura. Mas ele também envelheceu, amadureceu e criou novas gerações de fãs e músicos.
Hoje, é perfeitamente possível encontrar um pai que descobriu Black Sabbath, Deep Purple, Iron Maiden, Metallica ou Van Halen na juventude e que, décadas depois, apresenta essas mesmas bandas aos filhos.
E quando pai e filho — ou pai e filha — sobem juntos ao palco, a música ganha outro significado.
Não é apenas um riff.
Não é apenas uma bateria.
Não é apenas uma voz.
É uma memória sendo construída.
Neste Dia dos Pais, a Metalheads celebra todos aqueles pais que colocaram um disco para tocar em casa, ensinaram o primeiro acorde, mostraram aquele solo inesquecível ou simplesmente levaram seus filhos pela primeira vez a um show.
Porque algumas heranças não cabem em uma conta bancária.
Algumas heranças vêm em forma de riffs, distorção, baquetas e amplificadores no volume máximo.
E talvez essa seja uma das melhores heranças que um pai roqueiro possa deixar.
Max Cavalera e Igor Amadeus — o peso atravessando gerações
No metal brasileiro, um dos exemplos mais fortes dessa herança musical é Max Cavalera e seu filho Igor Amadeus Cavalera. Em 2021, os dois transformaram a relação entre pai e filho em uma verdadeira parceria de metal extremo com a criação do Go Ahead and Die, ao lado do baterista Zach Coleman. Max assumiu guitarra e vocais, enquanto Igor Amadeus ficou responsável por baixo, guitarra e vocais. A sonoridade da banda passeia pelo death metal, thrash metal, punk e hardcore, com uma forte inspiração no metal extremo da velha escola.
A ideia surgiu depois de Max e Igor perceberem que suas vozes funcionavam muito bem juntas durante uma apresentação do repertório do Nailbomb. O que começou como uma experiência musical acabou se transformando em uma banda de verdade e no álbum Go Ahead and Die, lançado pela Nuclear Blast em 2021.
O mais interessante é que Igor Amadeus não aparece simplesmente como “o filho de Max Cavalera”. Ele desenvolveu sua própria identidade musical e participou ativamente da composição, das guitarras, do baixo e dos vocais do projeto. É um daqueles casos em que a influência paterna serve como combustível, mas a nova geração também coloca sua própria personalidade na música.
E talvez seja justamente isso que torne a história dos Cavalera tão especial: Max ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes do metal brasileiro e mundial, e agora divide riffs e vocais com uma nova geração da própria família. No caso deles, a herança não é apenas de sangue — é uma herança de distorção, agressividade e paixão pelo metal.
Feliz Dia dos Pais a todos os pais metalheads!
