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Quando o Rock Vira Herança: Pais e filhos que dividiram o palco

Publicada em: 08/08/2026 11:14 -

 

 

Neste Dia dos Pais, a Metalheads relembra alguns dos momentos mais especiais em que o amor pela música aproximou pais e filhos dentro do rock, hard rock e heavy metal

 

Neste domingo, 9 de agosto, o Brasil celebra o Dia dos Pais. E se existe uma linguagem capaz de atravessar gerações, ela certamente é a música.

 

No universo do rock e do heavy metal, essa transmissão de paixão muitas vezes acontece dentro da própria família. Guitarras, baterias, vocais e riffs acabam servindo como uma ponte entre pais e filhos — e, em alguns casos, essa relação ultrapassa a influência musical e chega ao palco.

 

Ao longo da história, diversos músicos tiveram a oportunidade de tocar ou cantar ao lado de seus filhos. Alguns desses encontros se transformaram em momentos históricos; outros permaneceram como registros íntimos e emocionantes de uma relação familiar.

 

Para celebrar o Dia dos Pais, a Metalheads separou alguns desses encontros. 

 

Ozzy e Kelly Osbourne — “Changes”

 

É impossível falar de pais e filhos no heavy metal sem começar por Ozzy Osbourne e Kelly Osbourne.

 

Em 2003, pai e filha gravaram juntos uma nova versão de “Changes”, clássico originalmente lançado pelo Black Sabbath no álbum Vol. 4, de 1972.

 

A nova gravação ganhou uma dimensão completamente diferente. A letra foi adaptada para refletir a relação entre pai e filha, transformando a música em um retrato da passagem do tempo e das mudanças dentro de uma família.

 

O resultado foi um verdadeiro fenômeno: a versão de Ozzy e Kelly chegou ao primeiro lugar da parada britânica de singles.

 

Anos depois, “Changes” ganhou ainda mais significado. Após a morte de Ozzy, em julho de 2025, Kelly voltou a compartilhar versos da música como forma de homenagear o pai, mostrando como aquela gravação havia se transformado em algo muito maior do que apenas uma canção.

 

No caso dos Osbourne, o heavy metal acabou registrando uma das mais conhecidas parcerias musicais entre pai e filha. 

 

James Hetfield e Cali Hetfield — metal também é emoção

 

Quem está acostumado a ver James Hetfield destruindo palcos com o Metallica pode se surpreender ao encontrar o vocalista e guitarrista em uma situação completamente diferente.

 

Hetfield já dividiu o palco com sua filha Cali Hetfield em uma apresentação acústica, interpretando uma versão de “Crazy for You”, de Adele.

 

O contraste não poderia ser maior: o homem conhecido pela voz agressiva e pelos riffs pesados do Metallica aparece tocando violão enquanto sua filha assume os vocais.

 

Mais do que uma performance, o encontro mostrou um lado extremamente pessoal do músico — o pai acompanhando a filha musicalmente e dividindo com ela um palco.

 

O momento chamou atenção justamente por mostrar que, por trás de uma das maiores figuras do heavy metal, existe simplesmente um pai orgulhoso compartilhando música com a filha.

 

 

Max e Jay Weinberg — duas gerações atrás da bateria

 

Se existe uma família que sabe fazer barulho, é a dos Weinberg.

 

Max Weinberg, lendário baterista associado à E Street Band de Bruce Springsteen, passou sua paixão pela bateria para o filho Jay Weinberg, que posteriormente se tornou conhecido mundialmente por seu trabalho no metal, incluindo sua passagem pelo Slipknot.

 

Em 2010, pai e filho protagonizaram um verdadeiro duelo de baterias no palco do Guitar Center's 21st Annual Drum-Off Finals.

 

O encontro foi apresentado oficialmente como um dueto entre Max e Jay e mostrou duas gerações de bateristas compartilhando o mesmo instrumento e a mesma paixão.

 

Jay posteriormente construiu sua própria trajetória dentro do metal, provando que herdar a paixão do pai não significa necessariamente viver à sombra dele.

 

É quase como se Max tivesse passado as baquetas para a próxima geração.

 

Eddie e Wolfgang Van Halen — pai, filho e uma banda chamada Van Halen

 

Poucas histórias representam tão bem a transmissão do DNA musical quanto Eddie Van Halen e Wolfgang Van Halen.

 

Wolfgang entrou para o Van Halen ainda adolescente e passou a tocar baixo ao lado do próprio pai, Eddie, e do tio Alex.

 

A formação colocou pai e filho juntos em grandes palcos do mundo, transformando a relação familiar em uma experiência musical de enorme escala.

 

Wolfgang não era apenas “o filho de Eddie”: ele passou anos tocando ao lado de um dos maiores guitarristas da história do rock e participou inclusive do álbum A Different Kind of Truth, de 2012.

 

Eddie e Wolfgang também registraram diversos momentos juntos fora dos palcos. Em 2014, os dois chegaram a fazer uma jam de uma música que posteriormente seria aproveitada por Wolfgang em seu projeto Mammoth WVH.

 

Depois da morte de Eddie, Wolfgang construiu sua própria carreira, mas a relação musical entre os dois permanece eternizada.

 

 

Frank e Dweezil Zappa — uma família que transformou a música em laboratório

 

A família Zappa representa outro capítulo fascinante dessa história.

 

O genial e irreverente Frank Zappa teve entre seus filhos o guitarrista Dweezil Zappa, que acabou seguindo carreira própria na música.

 

Dweezil chegou a trabalhar diretamente com o pai e, posteriormente, dedicou grande parte de sua carreira à interpretação e preservação do enorme repertório deixado por Frank.

 

Seu projeto Zappa Plays Zappa tornou-se uma maneira de manter a música de Frank viva nos palcos, com Dweezil assumindo a responsabilidade de interpretar um repertório extremamente complexo.

 

O próprio site oficial de Dweezil destaca a colaboração musical com seu pai ao longo de sua trajetória.

 

Nesse caso, a herança não está apenas em compartilhar o palco: está também em preservar uma linguagem musical única para as próximas gerações.

 

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Willie e Lukas Nelson — quando o rock encontra o country

 

Embora Willie Nelson esteja mais associado ao country, sua influência sobre o rock, o folk e a música americana é gigantesca.

 

Seu filho Lukas Nelson construiu uma respeitada carreira própria e também teve diversas oportunidades de trabalhar musicalmente ao lado do pai.

 

Um dos exemplos mais interessantes é “Civilized Hell”, que apresenta uma colaboração vocal entre Willie e Lukas.

 

A semelhança entre as vozes dos dois torna a experiência ainda mais curiosa: é como ouvir duas gerações da mesma família conversando através da música.

 

Lukas também abriu shows para o pai ainda jovem e construiu sua própria identidade artística, mostrando que uma herança musical pode servir como ponto de partida — mas não precisa determinar o destino de um artista. 

 

Mais do que genética: uma questão de paixão

 

É importante lembrar que nem todo filho de músico se torna músico. E, quando isso acontece, também não significa necessariamente que o filho esteja tentando repetir a carreira do pai.

 

Wolfgang Van Halen construiu o Mammoth WVH.

Jay Weinberg encontrou seu espaço no heavy metal.

Dweezil Zappa desenvolveu uma carreira própria.

Lukas Nelson criou sua identidade dentro do rock, country e americana.

 

O mais interessante nesses casos é justamente perceber que a influência familiar pode existir sem impedir a individualidade.

 

O pai passa o amor pela música.

 

O filho decide o que fazer com ele.

 

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O ROCK TAMBÉM É FAMÍLIA

 

No final das contas, talvez seja essa a verdadeira beleza desses encontros.

 

O rock nasceu como uma música de rebeldia, juventude e ruptura. Mas ele também envelheceu, amadureceu e criou novas gerações de fãs e músicos.

 

Hoje, é perfeitamente possível encontrar um pai que descobriu Black Sabbath, Deep Purple, Iron Maiden, Metallica ou Van Halen na juventude e que, décadas depois, apresenta essas mesmas bandas aos filhos.

 

E quando pai e filho — ou pai e filha — sobem juntos ao palco, a música ganha outro significado.

 

Não é apenas um riff.

 

Não é apenas uma bateria.

 

Não é apenas uma voz.

 

É uma memória sendo construída.

 

Neste Dia dos Pais, a Metalheads celebra todos aqueles pais que colocaram um disco para tocar em casa, ensinaram o primeiro acorde, mostraram aquele solo inesquecível ou simplesmente levaram seus filhos pela primeira vez a um show.

 

Porque algumas heranças não cabem em uma conta bancária.

 

Algumas heranças vêm em forma de riffs, distorção, baquetas e amplificadores no volume máximo.

 

E talvez essa seja uma das melhores heranças que um pai roqueiro possa deixar.

 

Max Cavalera e Igor Amadeus — o peso atravessando gerações

 

No metal brasileiro, um dos exemplos mais fortes dessa herança musical é Max Cavalera e seu filho Igor Amadeus Cavalera. Em 2021, os dois transformaram a relação entre pai e filho em uma verdadeira parceria de metal extremo com a criação do Go Ahead and Die, ao lado do baterista Zach Coleman. Max assumiu guitarra e vocais, enquanto Igor Amadeus ficou responsável por baixo, guitarra e vocais. A sonoridade da banda passeia pelo death metal, thrash metal, punk e hardcore, com uma forte inspiração no metal extremo da velha escola.

 

A ideia surgiu depois de Max e Igor perceberem que suas vozes funcionavam muito bem juntas durante uma apresentação do repertório do Nailbomb. O que começou como uma experiência musical acabou se transformando em uma banda de verdade e no álbum Go Ahead and Die, lançado pela Nuclear Blast em 2021.

 

O mais interessante é que Igor Amadeus não aparece simplesmente como “o filho de Max Cavalera”. Ele desenvolveu sua própria identidade musical e participou ativamente da composição, das guitarras, do baixo e dos vocais do projeto. É um daqueles casos em que a influência paterna serve como combustível, mas a nova geração também coloca sua própria personalidade na música.

 

E talvez seja justamente isso que torne a história dos Cavalera tão especial: Max ajudou a escrever algumas das páginas mais importantes do metal brasileiro e mundial, e agora divide riffs e vocais com uma nova geração da própria família. No caso deles, a herança não é apenas de sangue — é uma herança de distorção, agressividade e paixão pelo metal.

 

Feliz Dia dos Pais a todos os pais metalheads!

 

 

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